segunda-feira, 26 de agosto de 2013

SARAU DA KAMBINDA


Teatro Popular Solano Trindade Apresenta :
Sarau da Kambinda 
Dia 29/08 Quinta feira 
Inicio das 18h as 22h
Programação :
Poetas convidados :Raquel Trindade e Binho - 
Lançamento do Livro -Sarau do Binho e Os Orixas e a Natureza de Raquel Trindade
Filme :Meu Campo Limpo de Kenny Rogers Oliveira Queiroz, Naiana Guarani Kaiowá Padial e Raíssa Corso.
Entrada Gratuita
Av São Paulo 174- Embu das Artes -Centro - Próximo da Prefeitura

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Lançamento do livro de Raquel Trindade -15/04 as 19H

 Segunda edição do livro de RAQUEL TRINDADE- CONTO,CANTO E ENCANTO COM A MINHA HISTÓRIA....
EMBU DE ALDEIA DE M'BOY A TERRA DAS ARTES



Centro Cultural Mestre Assis-Embu das Artes -Centro


15/04 as 19:00H


Noovha América Editora


Preço do livro 60$ reais

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Reabertura do Teatro Popular Solano Trindade 13/14 de novembro


Novembro no Teatro Popular Solano Trindade

Apresentações 13/11 com:


Mulungu

Preto Soul

Vitor da Trindade,

Teatro Popular Solano Trindade

Toni Garrido

A partir das 15 horas


Dia 14/11 Domingo com:

Maninho da Cuica

Sanza

TPST 

Negra Li

Zinho Trindade e OLegado de Solano

A festa termina as 22 horas.


Local:Teatro Popular Solano Trindade
Av São Paulo 100,Embu das Artes-SP
Próximo da prefeitura-Centro.
Entrada Gratuita

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Quilombo de Solano 22/09



QUILOMBO DE SOLANO

Evento que reúne  todo o legado de Solano Trindade nas artes plásticas, música, dança, teatro e literatura.
 
Mescla tradicional com o contemporâneo, seguindo as próprias palavras do grande poeta negro: “Resgatar na fonte de origem e devolver ao povo em forma de arte".
Solano Trindade (24 de julho de 1908 - 19 de fevereiro de 1974), poeta, pintor, ator e folclorista, é um legítimo representante da cultura e literatura popular afro-brasileira. Criador do Teatro Popular Brasileiro, Solano em vida escreveu 4 livros que hoje circulam por sebos e bibliotecas. É neste espírito que o Quilombo de Solano trará a poesia e a cultura afro-brasileira em 4 dias de festa como o poeta gostava de fazer na Cidade de Embu das Artes.
Dia 22 a partir das 19h 
Palestra sobre Solano Trindade
Com Raquel Trindade 
Palestra sobre Black Music 
Com King Nino Brown 
Abertura da exposição de trabalho de Grafitti dos artistas Onguer e Congz e de quadros com Raquel Trindade,Dyolinda Brasil e Rodrigo Bueno
Show "Dos tambores aos Toca discos" 
Com DJ Erry G e convidados
Exibição do filme "Solano 100 Anos"
Dia 23 às 19h 
Espetáculo Solano Trindade e Suas Negras Poesias
Com Cia As Capulanas

Show dos grupos "Sanza" e "Gestos Sonoros"


Exibição do filme “Panorama- Arte na Periferia”, de Peu Pereira

Dia 24 às 19h 
Lançamento Livro "Tarja Preta" de Zinho Trindade ,pelo Selo Poesia Maloquerista.


Encontro de Saraus de Binho,Brasa, Cooperifa, Fundão, Ademar, Poesia na Esquina, Palmarino,Coletivo Maloquerista,Mesquiteiros,Donde Miras,Elo da Corrente,Encontro de Utopias entre outros

Exibição do filme “Imagens de uma vida simples” (Solano Trindade) produzido pelo coletivo NCA.

Dia 25 às 19h 
Shows 

 Zinho Trindade e o Legado de Solano

 Preto Soul

Zafrica Brasil 
Apresentação de dança do grupo "Banks Back Spin WorkShow" (Break)

Link 

Atenciosamente
Zinho Trindade
11 7586-0249

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Bloco Kambinda -Carnaval 2010

BLOCO KAMBINDA
CARNAVAL 2010


LÍBANO E PORTUGAL
É O TEMA DO NOSSO CARNAVAL
SAUDANDO A FAMÍLIA DE IMIGRANTE
QUE CHEGARAM NO EMBU COLONIAL

ÔÔÔÔ
NOVAMENTE O KAMBINDA AQUI CHEGOU
PARA HOMENAGEAR, ESSA GENTE DE GRANDE VALOR

MEDINA E BASSITH
DUAS COLUNAS FORTES
QUE ATÉ HOJE NO EMBU AINDA RESISTEM
LUTARAM, AJUDARAM
NA EMANCIPAÇÃO DO POVO EMBUENSE

TRABALHANDO NO COMÉRCIO
ACREDITANDO O PROGRESSO

CRIARAM ESPORTE, AMIZADE E LAZER
CORRETANDO TERRAS PARA VER O EMBU CRESCER
A PRIMEIRA PREFEITURA, E A CÂMARA MUNICIPAL

TERRA DAS ARTES NOME INTERNACIONAL

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Sesc Ipiranga celebra Solano Trindade -de 06 a 25 de novembro


Confira aqui a programação!

Pela importância e significado de todas as suas ações e pelas marcas de representatividade que deixou na formação social e cultural brasileira, Solano Trindadee sua obra poderiam e podem ser lembrados em qualquer ocasião que se queira valorizar e pensar a cultura como importante ferramenta de transformações individuais e sociais, capaz de propôr e provocar outros olhares para a cidadania e as memórias cotidianas de sujeitos que constituem sua própria história.
Ao propor contato com alguns elementos das obras, memórias e histórias do grande poeta negro Solano Trindade no mês da Consciência Negra, o SESC Ipiranga tem a intenção de estimular reflexões, dentro de um entendimento de que a verdadeira consciência é o conhecimento e só o conhecimento gera respeito à diversidade.
Essa percepção olha para as datas especiais, sejam elas comemorativas ou não, como importantes momentos para se pensar ausências e presenças, invisibilidades e visibilidades. Assim, essas datas só fazem sentido se servirem como reflexão para que a diversidade faça parte do cotidiano e não apenas estejam representadas em momentos específicos.
De 06 a 25 de novembro, o Sesc Ipiranga traz uma programação inédita, mesclando música, teatro, literatura, dança e outras artes para celebrar Solano Trindade e sua obra.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Solano por Raquel


Por Revista RAIZ.
18 de julho de 2008



Por Luiza Delamare


Há muito para se descobrir sobre a vida e a arte de Solano Trindade: falar do poeta é evocar a arte dos afro-descentes brasileiros. Nascido em 24 de julho de 1908, aprendeu com o pai a magia da dança pastoril e do bumba-meu-boi. Com a mãe, para quem lia novelas, desenvolveu o gosto pela literatura. Ainda em sua cidade natal, fundou, em 1936, o Centro Cultural Afro-Brasileiro e a Frente Negra Pernambucana.

Solano virou poeta e expressou a negritude através da arte. Depois de passar por Belo Horizonte, MG, Pelotas, RS, e Rio de Janeiro, veio morar em São Paulo, no município do Embu. Ali, ajudado por outros artistas, transformou a cidade em centro de cultura popular e de reafirmação da cultura afro-brasileira. Com a arte e o artesanato que se espalhavam pelas ruas, a cidade ganhou outros contornos e deu origem ao novo nome do lugar, que passou a ser conhecido como Embu das Artes.

Raquel, primeira filha de Solano, mostra a importância do Embu na vida do pai ao dar continuidade ao trabalho do poeta em seu ateliê, localizado em uma rua comprida do centro da pequena cidade. Junto com filhos e netos, ela discute a situação do negro e fala do respeito às diferentes raças. Herdeira da sabedoria de Solano, Raquel se tornou preciosa fonte de conhecimento e vivência da cultura afro-brasileira.

“Se tem gente com fome, dá de comer”, diz o poeta do povo

Solano Trindade foi cidadão politizado e apontou problemas de desigualdade e injustiça na vida social brasileira. No debate da questão racial no país, tornou-se precursor. Ao longo da vida se envolveu com a poesia, as artes plásticas, o teatro e o folclore. Mas foi, sobretudo, o poeta do povo.

Pouco conhecido do grande público, sua poesia foi comentada por Carlos Drummond de Andrade, que via nos versos de Solano “uma força natural e uma voz individual rica e ardente que se confundia com a voz coletiva”. Foi celebrado também por Ney Matogrosso, que musicou o poema “Tem gente com fome” ainda nos tempos do grupo Secos & Molhados, mas só pôde incluí-la em seu disco após a queda da censura.

A comemoração do centenário do nascimento de Solano Trindade é a melhor oportunidade para festejar em grande estilo a cultura popular. Essa é a proposta da Associação Cultural do Morro do Querosene, que na sexta edição do Sarau do Querô, homenageia a produção artística de Solano Trindade na sede do Projeto Treme Terra.

Nada mais adequado, o Sarau do Querô, espaço aberto para que músicos, poetas e dançarinos mostrem seus trabalhos através de intervenções livres, relembra a atividade que Solano desenvolveu durante a vida inteira: divulgar as diversas formas de arte.

Faz parte também das comemorações o lançamento de três livros de Solano Trindade pela editora Nova Alexandria: Poemas Antológicos de Solano Trindade, com ilustração de Raquel Trindade; Tem Gente com Fome, adaptado para o público infantil, e Canto Negro.

Leia a seguir um pouco do pensamento de Solano Trindade na voz de sua filha Raquel

Portal RAIZ.: Qual é o significado da comemoração do centenário de Solano Trindade?
Raquel Trindade: Para mim, as comemorações do centenário são muito importantes porque eu acompanhei a luta dele. E aí vejo que frutificou a semente que ele plantou. Inclusive, você vê que eu continuei o trabalho. Agora estão aí meu filho e meus netos. A coisa vai e não pára. E isso está bem dentro do poema que ele diz: “Só morrerei depois de amanhã”. Então é muito importante porque eu, como companheira de luta dele, vi que valeu pesquisar na fonte de origem e devolver ao povo em forma de arte. O que ele fazia é o que a gente está fazendo.

Portal RAIZ.: luta pela igualdade racial foi muito importante na vida de seu pai. Como você absorveu isso dele?
Raquel Trindade: O Brasil é um país muito preconceituoso, mas papai me falava também dos negros conscientes, dos brancos sem preconceito. Dizia que eu não podia generalizar. Desde menina eu sei que a gente tem que ter cuidado. A gente sabe que tem o preconceito, sabe que tem a discriminação e que isso independe de setores da sociedade. Tem preconceito nos pobres, nos ricos. Mas também têm pobres e ricos brancos que não são preconceituosos. Todos anseiam melhorar culturalmente, mas alguns têm oportunidade e outros, não. Ele também me ensinou muito sobre a resistência, a resistir mesmo com os obstáculos que a gente enfrenta, principalmente, com a arte.

Portal RAIZ.: Como está a questão da discriminação atualmente? Você diria que hoje preconceito acontece de forma mais sutil?
Raquel Trindade: A discriminação continua muito forte, mas a luta também é grande. O negro está mais organizado, está se organizando em muitas entidades. E tem também uma juventude branca muito interessada na cultura negra. Inclusive no meio universitário e na imprensa, é preciso que existam esses jovens com uma grande visão das coisas e que apóie a gente.
Existem vários tipos de preconceito. Por exemplo, eu sou negra, nordestina, artista popular, pobre e ‘candomblezera’. Quando a gente fala das religiões de matrizes africanas, as pessoas ainda têm muito preconceito, e não tem nada de mau. Exu não é o diabo. Ele é meio humano, meio divino. Os orixás são energias da natureza. Existe um preconceito muito grande contra o nordestino, e eu sou pernambucana. Existe um preconceito muito grande com a mulher, eu sou mulher, graças a Deus! E existe o preconceito contra o pobre. Por exemplo, eu vivo simplesmente, aí a pessoa vem comprar um quadro e, quando vê que minha casa é muito simples, não quer pagar o preço que o quadro vale. Então isso é preconceito contra o pobre. A discriminação é muito forte.

Portal RAIZ.: De que maneira você acha que a educação pode diminuir a barreira que ainda existe entre negros e brancos? Qual é o espaço que há para a cultura negra nas escolas?
Raquel Trindade: Hoje tem uns meninos aqui na comunidade que estão na quinta série e não sabem nada de geografia, não sabem nada de história. Quer dizer, estão tentando melhorar, mas ainda não acharam um caminho. Agora, a cota é necessária por causa da discriminação. Se não houvesse a discriminação, não precisava ter as cotas. Só que também tem uma coisa: se o aluno não é preparado desde o ensino fundamental, principalmente a criança negra e pobre, que precisa estudar em uma escola pública, a escola tinha que estar mais forte e os professores mais preparados. A maioria dos professores não sabe nada sobre o Brasil nem sobre a nossa história, sabe só superficialmente. Agora com essa lei da cultura negra nas escolas, eu estou muito preocupada, porque seria muito bom se as pessoas que fossem ensinar conhecessem de fato a cultura negra. Eu estou vendo muitos erros, tem filmes dizendo que Zumbi era Xangô, sendo que ele era Zaze. Outra coisa: como que você vai dar uma aula de cultura negra sem conhecer as religiões de matriz africana em uma escola onde a maioria é evangélica ou católica? Aqui no Embu teve o caso de uma menina que teve que passar pelo ritual de candomblé e tinha de andar de turbante e as outras crianças a ridicularizaram. E a professora não tinha como defendê-la, porque também não conhece nada e suspendeu a menina. Quer dizer, isso é um horror, ainda falta muita coisa.

Portal RAIZ.: A cultura popular ainda é vista apenas como curiosidade?
Raquel Trindade: É, é vista como curiosidade. Os grupos de cultura popular deviam ter muito mais apoio. Se eles não estiverem organizados com muito papel e com muita burocracia, não conseguem um tostão, porque se exige muita papelada? Aqui eu tenho sorte porque tenho amigos que me orientam com essas coisas. Mas a maioria dos grupos populares não tem essa condição, não tem dinheiro para ficar tirando papel um atrás do outro. São exigidas muitas coisas para se conseguir verba. Existem universitários que fazem grupos de danças populares e conseguem o incentivo, mas os grupos raízes mesmo não conseguem.

Portal RAIZ.: Você poderia contar um pouco das lembranças do convívio com seu pai?
Raquel Trindade: As lembranças são muito boas, ele era um pai maravilhoso, dava muita atenção para nós, crianças. Com 8 anos ele me levava para ver exposições de arte, me levava na Pinacoteca, no Teatro Municipal. Ele gostava de música popular, mas também gostava de música erudita. Ele me levava para conhecer o balé-afro da Mercedes Batista. Depois me levava para assistir à orquestra afro-brasileira do Abigail Moura. Minha mãe e ele iam ensinar dança no Teatro Folclórico do Aroldo Costa e, depois que mudamos para Duque de Caxias, ele fazia festas com muito folclore, com muita arte. Ele conversava muito comigo sobre discriminação racional. Dizia que eu devia ter orgulho de ser negra, mas que eu devia ser amiga de todas as raças. E também falava dos problemas do povo. Na década de 50, ele já falava do direito da criança, porque naquela época as crianças apanhavam muito e ele era contra isso. Ele brincava com a gente – era fantástico! – e falava de poesia. Eu era testemunha das reuniões da célula Tiradentes, que era do Partido Comunista. Eu ouvia sobre a classe operária, e minha mãe, que era presbiteriana, servia cafezinho para os comunistas. Também lembro que ele se reunia em um bar chamado Vermelhinho. Onde se encontravam intelectuais, militantes de esquerda, poetas, atores. E eu, desde criança, tinha contato com essa gente toda: Aldemir Martins, a pintora Djanira. Meu pai criou junto com a minha mãe, Margarida da Trindade, e o sociólogo Edson Carneiro, o Teatro Popular Brasileiro. Viajamos por toda a Europa.
Mesmo na adolescência, eu acompanhava muito meu pai. A gente ia pra tudo quanto era lugar, a gente era companheiro mesmo. Eu via muita arte através dele, muita poesia. E via, principalmente, a luta dele.